Museu do Reggae Maranhão: como é a visita em São Luís

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Na porta do Museu do Reggae Maranhão, antes de ver qualquer disco, você assina um livro com o seu nome e a sua cidade. É com essa lista que o museu sabe quantos visitantes vêm de fora e quantos são ludovicenses, como chamamos quem nasce em São Luís.

Eu sou ludovicense. Gravamos a visita para o nosso canal em outubro de 2024, e a Andressa ainda conversou uns 20 minutos com o diretor do museu, o DJ e turismólogo Ademar Danilo. Este texto junta o que vimos lá dentro e o que ele contou.

Onde fica e por que ele existe

O museu fica no Centro Histórico de São Luís e abriu em 18 de janeiro de 2018. Foi o primeiro museu dedicado ao reggae fora da Jamaica e segue sendo o único do Brasil. Hoje já existem museus do gênero no Panamá e na Nova Zelândia, mas o Ademar faz questão da diferença: esses contam o reggae jamaicano, e o de São Luís conta o reggae do Maranhão.

O apelido de Jamaica Brasileira virou lei em 2023: a Lei nº 14.668 deu a São Luís o título de Capital Nacional do Reggae.

Fachada do Museu do Reggae Maranhão, no Centro Histórico de São Luís, com a bandeira do reggae
A fachada do museu, no Centro Histórico de São Luís.

Como funciona a visita ao Museu do Reggae Maranhão

  • A entrada é gratuita.
  • Na chegada, você assina o livro de visitantes com nome e cidade.
  • A visita é guiada, mas não precisa agendar. Há várias monitoras, justamente para ninguém ficar esperando.
  • A parte guiada dura no máximo uns 15 minutos. Depois disso, dá para circular com calma e fotografar à vontade.

Dias e horários mudam ao longo do ano, então confira nas redes oficiais do museu antes de ir.

Madson na porta do Museu do Reggae Maranhão, em São Luís
Eu na porta do museu, no dia da gravação.

O que tem lá dentro

Logo no começo, três televisores contam a história do reggae no mundo, no Brasil e no Maranhão. É um bom resumo para quem chega sem saber nada.

Depois vêm as radiolas, o coração da história local. Radiola é o paredão de caixas de som que fazia o baile inteiro ouvir a música. Com o tempo, as radiolas passaram a disputar quem tinha o som mais potente e a "pedra" mais rara, a música exclusiva que ninguém mais tocava. Por isso os donos viajavam até o Caribe e a Jamaica atrás de discos novos.

Andressa e Madson diante do paredão de uma radiola no Museu do Reggae Maranhão
Nós dois diante do paredão de uma radiola, dentro do museu.

O acervo tem recortes de jornal, fotos e vídeos raros dos anos 80, 90 e 2000, discos de vinil difíceis de achar e a primeira guitarra da banda Tribo de Jah, doada ao museu. Uma das radiolas expostas foi a primeira peça do acervo. Ainda assim, o Ademar define a casa como um museu de informação mais do que de relíquias: quem não sabe nada de reggae sai entendendo como ele virou parte do jeito de ser do maranhense.

Na área aberta, há uma homenagem a nomes importantes do reggae nacional e maranhense, como a cantora Célia Sampaio. Foi ali que a entrevista aconteceu.

Tem também uma lojinha. Na nossa visita, em 2024, a camisa de botão saía por R$ 50, a regata do Bob Marley por R$ 70 e a camiseta comum por R$ 80. Os preços podem ter mudado.

Por que o reggae pegou no Maranhão? Ninguém sabe

Essa é a pergunta que quase todo visitante faz, e a resposta do Ademar surpreende: não existe explicação comprovada.

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O reggae surgiu na Jamaica na segunda metade dos anos 60 e chegou ao Maranhão pouco depois. Circulam três versões populares: marinheiros que voltavam do Caribe com discos, rádios jamaicanas captadas no litoral de Cururupu e representantes de gravadoras que levavam as músicas às rádios. Para o Ademar, nenhuma se sustenta. O Caribe tem a Colômbia, grande produtora de café, então não havia café maranhense para contrabandear até lá. A Jamaica nunca teve rádio potente o bastante para chegar aqui. E não havia discos de reggae à venda para as gravadoras indicarem.

O que existe é uma pista. Muitos africanos escravizados trazidos ao Maranhão saíram da Costa da Mina, onde hoje fica Gana. O mesmo porto mandou gente principalmente para o Maranhão, a Venezuela, Cuba, o Haiti e a Jamaica. Vem daí o nome do tambor de mina, a religião de matriz africana maranhense. Há uma origem em comum, mas, como ele lembra, a escravidão é coisa de séculos e o reggae é de 1967. A pista ajuda, mas não explica.

Bandeiras do Brasil, da Jamaica e do Maranhão dentro do Museu do Reggae
Brasil, Jamaica e Maranhão lado a lado, numa das paredes do museu.

Pedra, melô e fita cassete

O reggae mudou até o vocabulário de São Luís. Em quase todo o Brasil, "pedra" fora do sentido de mineral lembra droga. Aqui é elogio: pedra é uma música de reggae boa. O próprio museu avisa o turista que, se ouvir dois maranhenses combinando de "curtir umas pedras", ninguém está falando de nada errado.

Como as músicas eram em inglês e ninguém sabia o nome nem o cantor, o público inventou o melô, um apelido em português tirado do som do refrão. "White Witch" virou o Melô do Caranguejo. "Bad Reputation" virou o Melô da Cabra.

Para proteger a pedra exclusiva, os donos das radiolas gravavam as músicas em fita cassete, onde não aparecia o nome da faixa, em vez de levar o disco para o baile.

Onde ouvir reggae depois do museu

Quem chega esperando uma banda em cada esquina se decepciona. No Maranhão, o grande artista do reggae é o DJ com a radiola, não o cantor no palco. Com a lei do silêncio, as radiolas grandes ficaram restritas a poucas áreas, como o entorno do Anel Viário, e o clube gigante deu lugar aos bares de reggae.

Segundo o Ademar, só no Centro Histórico há quase dez bares de reggae, e quase todo bairro tem o seu: Fátima, Liberdade, Cidade Operária, Cidade Olímpica e a orla do Olho d'Água, por exemplo. Ao lado do museu fica a Praça do Reggae, que recebe festas em algumas quintas-feiras; a programação sai nas redes do museu.

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Se você vem só pelos Lençóis

Muita gente passa por São Luís a caminho dos Lençóis Maranhenses e sai da capital sem ver nada. Reserve pelo menos uma tarde para o Centro Histórico: o museu é de graça, a parte guiada leva 15 minutos e ainda sobra tempo para terminar o dia num bar de reggae. Como a Andressa disse no fim do vídeo, o Maranhão não é só Lençóis.

Andressa em frente ao Museu do Reggae Maranhão, em São Luís
A Andressa na porta do museu.

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Sobre o Autor

Madson Sousa é especialista em milhas e viagens, criador de conteúdo e fotógrafo. Compartilha dicas e estratégias para viajar mais pagando menos.

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